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Qual é, de fato, a festa máxima da cristandade?
Costuma-se dizer que é o Natal. Não há dúvida de que se trata de uma data importante. No Natal celebra-se o milagre de Deus ter-se tornado um de nós, nascido pobre, deitado em cocho de comida de animais. Natal é, de fato, uma festa importante.
Não é, porém, a festa máxima da cristandade e sim aquela que está sendo preparada. É a Páscoa, a festa da libertação. Páscoa é o eixo central da Bíblia. Páscoa é o eixo da fé e da esperança do povo sofrido e humilhado. Já, muito antes de Cristo, o povo judeu celebrava a festa da Páscoa. O próprio Jesus a celebrou com os seus discípulos em Jerusalém, pouco antes de ser preso por aqueles que o levariam à morte. Essa festa marcava um acontecimento decisivo na história do povo judeu. Lembrava a saída do Egito, a libertação da escravidão.
No Egito, o povo de Deus havia sido reduzido à condição de escravo. Mas Deus viu a aflição de seu povo, ouviu o seu clamor, conheceu o seu sofrimento. Por isso desceu para libertá-lo do Egito, e dar-lhe uma terra que fosse sua, em que pudesse trabalhar para si mesmo, usufruindo de sua produção. Com sinais e milagres Deus arrancou o seu povo das mãos do faraó. E, os escravos libertos comemoraram a Páscoa, a festa da passagem de escravidão para a liberdade, a festa da libertação.
Não foi por acaso que a morte e a ressurreição de Jesus Cristo tenham acontecido na mesma semana que em que os judeus celebravam a Páscoa. Pois, também em Jesus – e nele de modo definitivo – Deus viu e ouviu a aflição do seu povo e desceu para libertá-lo. Deus mesmo assumiu a cruz e a morte, carregou sobre si o pior sofrimento humano: o abandono, a marginalização, o desprezo, a dor, a morte violenta.
Ao se observar a cruz e pensar nela como um instrumento de tortura, pode- se entender como a cruz é cruel. Ter em mente que o crucificado teve as mãos e os pés varados por enormes cravos… que ficou lá pendurado por um bom tempo, depois de açoites e humilhações, para ir morrendo aos poucos! A cruz de Jesus Cristo denuncia a crueldade da vida imposta a tanta gente. Ali na cruz, Deus se torna igual às crianças de rua, aos milhões de famintos, aos desempregados, aos camponeses sem terra, aos operários mal pagos, às mulheres oprimidas, às pessoas sem direito, aos violentados e torturados, enfim, a toda a sorte de deserdados que vão morrendo a cada dia. Ali, naquela cruz, estão todos eles, porque, na cruz Deus mesmo está definitivamente com eles.
Na cruz de Cristo, Deus derrota a crueldade da vida, ao derrotar a morte com a vida. Ao terceiro dia o crucificado ressuscita. E, com sua ressurreição Deus proclama, e voz alta, o sim à vida, o seu não à morte. A ressurreição de Jesus foi a palavra definitiva contra todas as cruzes do mundo. Por não querer a cruz para ninguém, Deus mesmo fez seu filho ser pregado nela.
Isto é Páscoa. Deus não quer nem escravos nem mortos. Páscoa é a passagem: da escravidão para a liberdade; da morte para a vida. Estes dois eixos centrais da Bíblia, Êxodo e Cruz-Ressurreição fazem da Páscoa a festa máxima para os que sofrem e para todos os cristãos. Neles se celebra a libertação promovida por Deus na história; a partir deles nasce a esperança para lutar sempre, a fim de que não haja nem escravos e nem mortos.
Que a alegria da ressurreição de Cristo esteja em nosso coração hoje e sempre. Uma abençoada semana santa e feliz Páscoa!

(P. Carlos A.
Dreher) Marcelo Ackermann.