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Não há como negar que ao se falar em páscoa duas palavras se apoderam de nós, ganhando dimensões enormes em nossas mentes: Chocolate e descanso. A primeira delas, chocolate, foi feita sob medida para as crianças, tanto pequenas, como as grandes, aquelas que vivem dentro de nós… Já a palavra descanso tem cara de adulto, cheiro de adulto, “seriedade” de adulto e o desejo de encontrar o revés daquilo que habita o nosso cotidiano: o descanso.

Mas o que ninguém imagina é como essas palavras são forjadas através da morte, concebidas pelo amargo, estendidas através de um processo lento dentro do tempo. O chocolate, tão doce, delicioso, mágico, sedutor e romântico, é concebido somente através do amargo: o cacau.

Para que o chocolate seja forjado é preciso que o amargo morra, o cacau tem que deixar de ser cacau, tem que assumir uma outra forma. Assim como para nascer a saudade é necessário que o abraço morra; para nascer o beijo é necessário que os olhos adormeçam… Também para o descanso nascer é preciso que o nosso desejo ávido pelo lucro morra; que a nossa correria desfaleça, fazendo brotar a tranqüilidade, a mesma contida nos olhos mágicos de uma criança; é necessário deixar que as preocupações sejam sepultadas.

Talvez este seja toco o sentido da páscoa: resgatarmos a lembrança de uma morte que foi imprescindível para que tivéssemos vida. Através de uma morte a vida foi doada. Foi preciso que alguém provasse e depurasse o amargo para que nossa vida passasse a ser doce.

Alguém precisou vencer a morte para que a vida triunfasse. É como nos dizem os poemas sagrados no Evangelho de João: O maior amor que alguém pode ter pelos seus amigos é dar a vida por eles. Cristo foi quem nos deu a vida. Porque ele morreu, agora, temos a vida, mas não qualquer tipo de vida, porém, vida em abundância. E esta vida passa pela esperança-certeza da vitória que temos sobre a morte: Cristo ressuscitou!! É o simbolismo de que a vida vence a morte; de que o amargo perde para a doçura; o lucro, para a solidariedade; o egoísmo, para o altruísmo; a tristeza para a alegria, a frieza para o amor; a solidão, para a companhia; a correria, para o sossego e, descanso…

Talvez o que precisamos mesmo é fazer de nossas vidas uma eterna Páscoa…

Um momento no qual aprendamos a deixar a vida nascer através da morte. Deixar que todo o nosso cacau (amargura), que pode ser o olhar, as palavras, os desejos, a mente, nossas relações…, morra, tornando-se em chocolate, algo prazeroso, gostoso, inesquecível de viver; e que os nossos corações palpite, mesmo em meio à turbulência, como na toada desta tranqüilidade que chamamos Páscoa. É preciso morrer para viver…

“possuídos pelo futuro, tentemos fazer viver, no presente, aquilo que nos foi dado, em esperança:” a vida!

Alexandre Filordi

P. Júlio Cézar Adam

Deus me atendeu ao sofrimento e ao trabalho das minhas mãos.

Gênesis 31.42