Tags

, , , , ,

Tereza Cristina não morreu! Não foi presa! Não foi punida! E o que é pior: continua rindo dos outros. Assim terminou a novela da Globo “Fina Estampa”, que de fina não tinha quase nada. Interessante é que é mais um final de novela, onde a vilã se dá bem no final (A favorita e Passione tiveram o mesmo fim trágico). A vilã foge sem ser julgada, presa e condenada, responsabilizada pelo que fez.

Não precisamos de muito trabalho filosófico para entender o recado. A impunidade é a regra. Foi-se o tempo dos mocinhos e mocinhas que venciam no final. O bem triunfava e nos dava, mesmo que na ficção, a sensação do cumprimento ético e moral.

As novelas, mais do que produzirem um padrão de comportamento, elas espelham nossa sociedade e a nossa cultura. Sem querer, com isso, defender a Globo – que não precisa da minha defesa – Fina Estampa é de fato uma fina estampa da nossa cultura, na qual ninguém é responsabilizado pelos seus atos. A impunidade feita “Rainha do Nilo”.

Tereza Cristina magoou, destratou, enganou, mentiu, sequestrou, matou… e nada aconteceu. Diante dela a gente se sente impotente, idiota e ridículo, porque parece que de nada serve lutar para ser justo, ético, íntegro, humano. Tereza é a fina estampa dos corruptos e bandidos do nosso país, que continuam por aí, como que a rir dos outros, da gente.

Mesmo tendo entendido o recado, não gostaria de ser Tereza Cristina. Ela foi a estampa da tristeza e da decadência humana. Tão rica e tão fútil, pobre e só! Raríssimas vezes a vimos de fato alegre ou sensibilizada… Acho que vale a pena, sim, lutar pela integridade humana, pela ética, por valores que dignificam a vida.

Que o Deus que faz Cristo voltar à vida, afirmando a supremacia da vida sobre a morte, nos fortaleça e nos ilumine para sermos sinais de ressurreição em nosso país. Que ressuscite a integridade humana e a justiça, como a mais fina estampa dos filhos e filhas de Deus.

Boa semana. P. Júlio Cézar Adam

Não temas; pelo contrário, fala e não te cales.

Atos 18.9